25/11/2009 – 13:06

O ex-diretor de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura têm defendido a tese que os maiores problemas da cadeia produtiva sucroenergética se sustentam em três questões básicas.

O ex-diretor de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura e hoje consultor da Conab, Ângelo Bressan Filho, têm defendido a tese que os maiores problemas da cadeia produtiva sucroenergética se sustentam em três questões básicas: a falta de visão de futuro, a falta de um centro de inteligência e a falta de uma competente interlocução das lideranças do setor junto aos vários níveis de governo.

Nas últimas semanas, uma série de más notícias, todas muito bem orquestradas chamou a atenção da opinião pública. Primeiro, um polêmico ministro (Carlos Minc, do Meio Ambiente) falou pelos cotovelos e anunciou ao mundo que os motores de veículos a etanol poluíam mais do que os a gasolina. A informação é falsa e não se sustenta.

Depois, outro ministro (Edison Lobão, de Minas e Energia) anunciou que o governo federal estudava a liberação de motores movidos a óleo diesel para automóveis. Todos sabemos que o diesel é altamente poluente e que o Brasil o importa pois nossa capacidade de produção é insuficiente para atender a demanda do mercado.

Tivemos também a poucos dias um colapso no sistema elétrico nacional, mostrando que o mesmo é frágil e inconfiável. Embora tenhamos uma participação cada vez maior das energias renováveis em nossa matriz energética, a bioeletricidade ainda não é vista como solução real para diminuir os riscos dos futuros apagões. Lamentavelmente apenas 20% das usinas sucroenergéticas (88 unidades de um total de 434) comercializam seus excedentes no mercado.

Como tem defendido Marcos Jank, presidente da União da indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a reserva potencial de bioeletricidade adormecida nos canaviais brasileiros é imensa. Se todas as usinas cogerassem energia a partir do bagaço de cana, teríamos nada menos do que 10.000 MW médios até a safra 2017/18, ou seja, uma usina do porte de Itaipu.

Somente no Estado de São Paulo, a reserva de cana permitiria exportar 4.800 MW médios para a rede em 2017/18, valor 20% superior ao hoje gerado em todo o complexo da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

Na visita que fez recentemente à sede do CeiseBr, o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, contou como tem agido para segurar a redução da mistura do anidro à gasolina que já tinha sido determinada pelo governo. A medida reduziria o tamanho do mercado do etanol no momento em que os preços começam a se recuperar.

Ou seja, há muito o que fazer nas relações institucionais dos setores que compõem a cadeia produtiva sucroenergética (usinas, fornecedores de cana e indústrias de bens de capital, insumos, máquinas, equipamentos, serviços e tecnologia). Estamos trabalhando, em parceria com o prof. Alberto Borges Matias do INEPAD – Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração na criação da Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético.

Como também estamos desenvolvendo a criação de moderno centro de pesquisas contando com a parceria de instituições, dentre outras, como a UFSCar, USP,Instituto Federal, Fapesp, Sebrae, Sesi e Senai. Ambas as estruturas servirão para a discussão da visão de futuro e a criação de um centro de inteligência do setor. Não podemos mais ficar passivamente assistindo a sucessão dos factóides. Ao contrário, temos que entrar em campo para virar o jogo a favor dos interesses do nosso país!

Fonte: www.protefer.com

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