No verão de 2005, Judy Rosenblum, então presidente da Duke Corporate Education (Duke CE), uma unidade da Duke University especializada em educação corporativa, começou a pesquisar o ambiente de aprendizagem dos hospitais-escola americanos e o que estes poderiam ensinar em termos de aprendizagem organizacional às empresas. Existiam muito paralelos entre os 2 mundos- avanço tecnológico frenético, constante fluxo de informações e mudanças rápidas, pressão e estresse- o que estimulou Judy a montar uma equipe e mergulhar na realidade de vários hospitais-escola, buscando lições valiosas para o mundo corporativo. Este estudo durou dois anos e englobou alguns dos melhores hospitais-escola dos EUA, entre eles o Mount Sinai Hospital de Manhattan e o Johns Hopkins Hospital. O estudo rendeu uma abundância de informações sobre como os médicos e residentes aprendem, bem como algumas idéias de como transferir estas práticas para o mundo corporativo.

Um robusto conjunto de valores forma o ambiente de aprendizagem destes hospitais, suportando seus processos educacionais e seus métodos de aprendizagem. Fundamentalmente, ensinar e aprender são valores básicos, apoiados por líderes em todos os níveis hierárquicos destas organizações. Todos no hospital podem ensinar e todos devem constantemente aprender. Nas palavras de um médico do Mount Sinai Hospital, “a coisa mais importante que um médico ou residente pode aprender é como continuar aprendendo”. Nestes ambientes de excelência, profissionais de várias especialidades são reconhecidos pela comunidade médica pelo seu comprometimento em desenvolver futuros líderes e premiados nos hospitais por seus esforços. Como parte fundamental deste processo de disseminação do conhecimento, o feedback é rotineiro, o “coração do sistema”. É comum a prática de dar feedbacks rápidos (e bem estruturados) após cada procedimento aplicado, bem como o feedback para cada transferência de conhecimento. Apesar do ambiente onde um erro pode custar uma vida, todos sabem que eles são passíveis de acontecer e todos tem consciência de que precisam aprender com estes. Abordando e explorando falhas em ocasiões de treinamento formal ou em conversas informais, médicos e residentes vão juntando aos poucos valiosas lições para suas carreiras.

O que os hospitais-escola podem ensinar às empresas?

  • Ensinar deve ser função de todos – Todos no hospital devem ensinar e se espera que todos continuem a aprender continuamente, todos perseguindo o melhor atendimento aos pacientes;
  • Testar sempre – A aprendizagem é constantemente avaliada com testes formais e feedbacks constantes;
  • Analisar e aprender com situações reais – Todas as ocasiões são aproveitadas para incrementar o aprendizado do grupo, que vivencia casos reais, muito mais ricos que uma simples leitura;
  • Foco no paciente – médicos e pacientes tem foco total no bem estar do paciente. O conceito de “adotar o paciente” rapidamente contamina profissionais juniores e seniores;

Estes princípios reforçam a filosofia de que todos são potenciais professores e que o conhecimento se dissemina com mais efetividade quando envolve o grupo por inteiro. Como diz um residente do Johns Hopkins Hospital: “você começa reconhecendo que sempre há alguém mais esperto que você por perto, então, cada pessoa que você conhece pode acrescentar pontos ao seu conhecimento. Todos que você encontra querem ajudá-lo a saber mais”

Para deixar um pulga atrás da orelha dos gestores e líderes das organizações, aqui vão algumas questões interessantes:

  1. Seus líderes enxergam o desenvolvimento dos funcionários como uma tarefa separada do dia-a-dia do trabalho?
  2. Eles investem uma parte substancial de seus orçamentos de T&D em programas que desenvolvam competências de comunicação?
  3. Seus gestores mais experientes possuem confiança e habilidade suficiente para demonstrar seus pontos de vista mesmo nas circunstâncias mais difíceis?
  4. Existe uma pressão para considerar as necessidades dos clientes ao elaborar ou contratar programas de T&D?

Talvez clientes não sejam como pacientes, sua perda não implique uma vida que se vai, mas certamente a saúde da empresa fica muito mais robusta quando o ambiente de constante aprendizagem é estruturado e valorizado. Clientes são o oxigênio da empresa e a falta deles leva muitas organizações para a UTI.

Para saber mais leia Chief Learning Officer Magazine, April 2008

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