Academias corporativas, surgidas nos anos 70 nos EUA e que chegaram timidamente ao Brasil nos anos 90, estão ganhando força e seus programas tornam-se cada vez mais sofisticados. Ainda é difícil mapear a exata quantidade das empresas que possuem universidades próprias, mas pesquisa realizada em 2009 pela Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP indica que sistemas educacionais corporativos (SECs, como são conhecidos) estão entre as prioridades estratégicas de várias companhias líderes de mercado.

São casos de empresas como a Accor e o McDonald’s, ou até de entidades empresariais, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que criaram programas não apenas para os colaboradores diretamente filiados como também lançaram cursos para o público externo.

A professora Marisa Eboli, considerada uma das pioneiras na pesquisa do tema, foi quem coordenou o estudo da FEA-USP. Ela tem uma certeza: a quantidade de empresas que estão investindo na formação de seus colaboradores não para de crescer no Brasil. No início da década ela tinha um banco de dados com 300 empresas que afirmavam ter algum tipo de treinamento aos seus funcionários. No último levantamento, entre setembro e outubro de 2009, 800 empresas foram contadas.

Segundo Eboli, as respostas obtidas no levantamento permitem afirmar que, entre as empresas que responderam, a maturidade dos sistemas educacionais é visível. “Existe um alinhamento estratégico claro entre os currículos e as competências das empresas”, explica. O mapeamento de competências é apontado por Eboli como o primeiro passo para as empresas que realmente levam a sério a criação de universidades corporativas. Nesse sentido, chamou a atenção na pesquisa da FEA-USP a disposição de empresas em treinar não apenas seus próprios colaboradores como também fornecedores ou prestadores de serviço.

O caso da Febraban ilustra bem a tendência descrita pela pesquisa. No ano passado, a federação decidiu ter uma universidade própria como complemento às academias já implementadas pelos bancos. Quatro escolas foram criadas, duas para o público do setor e duas para a sociedade. Entre as últimas, destaca-se o curso de “cidadania financeira”, a ser iniciado em 2011. Foi uma demanda dos próprios bancos, segundo o diretor de educação corporativa, Fábio Moraes. Um site chamado “Meu bolso em dia” foi criado como parte da estratégia e até agora já recebeu 1 milhão de visitas.

Outra escola direcionada a alunos externos é a de Públicos Estratégicos, que fará as primeiras rodadas com treinamentos para jornalistas. “A Febraban visa crescer em mercados complementares ao setor financeiro, como o varejo e as montadoras, entre outros”, diz Moraes.

Aos bancários, um curso que leva o nome de “escola de líderes” tem sido um dos destaques da Universidade Febraban. O currículo mapeou 16 competências essenciais ao mercado corporativo e formou a primeira turma neste ano. As escolas direcionadas ao público do setor são pagas e, em 2010, atenderam a 3 mil pessoas. A meta para 2011 são 4 mil pessoas.

Célia Ferraz, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que houve nos últimos anos uma tendência bastante positiva entre as empresas de reconhecer a gestão do conhecimento como um fator essencial de competitividade. “Uma empresa é mais rica quanto maior for o número de pessoas com alto grau de conhecimento. É um pressuposto diferente, o conhecimento como capital”, ressalta.

Por outro lado, ela julga que o quadro ainda não está claro, pois “surgiram muitas universidades mas também muitas empresas fecharam suas unidades”. Entre as grandes, não há dúvidas de que o quadro é positivo, com a construção de metodologias sólidas após anos de sistemas educacionais implementados. Uma das tendências observadas por Célia Ferraz é o aumento do número de cursos à distância sem que a qualidade do ensino tenha sido perdida.

Fonte: http://sindhosba.org.br

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