Uma coisa de cada vezHoje me deparei com uma situação bastante corriqueira, um amigo, profissional da área de TI, reclamava que seu estagiário estava falhando frente aos desafios técnicos da rede de dados em seu trabalho, ao invés de seguir os scripts de ação em caso de crise, buscava formas “avançadas” de atuação. Na descrição informada, é  como se ele quisesse “construir um servidor novo” ao invés de seguir os protocolos. Lembrei da hierarquia de aprendizado e o quanto é importante respeitar as fases do domínio do conhecimento.

Em aprendizado, toda etapa deve ser um pré-requisito para a etapa posterior, estamos todos acostumados a isto deste a tenra idade, quando íamos avançando do be-a-ba até a equação do 2o grau. O ambiente de constantes mudanças, o farto acesso à informação e o novo costume de navegar em hipertextos nos dá a ilusão de que podemos circular de forma medianamente organizada entre os vários conhecimentos disponíveis, combinando-os ao nosso bel prazer, criando novos conhecimentos e enriquecendo o mundo. De fato podemos, atualmente a quantidade de informação disponível dobra a cada cinco anos e é ótimo que novos conhecimentos sejam gerados sempre, porém as hierarquias de aprendizagem configuram a implacável Nêmesis que nos lembra que, antes de gerar novos conhecimentos, devemos dominar os conhecimentos básicos.

Lembremos de Gagné, que sugere que tarefas de aprendizado para habilidades intelectuais podem ser organizadas em hierarquia, de acordo com a complexidade: reconhecimento de estímulo, geração de resposta, seguir procedimentos, uso da terminologia, discriminações, formação de conceito, aplicação de regras e resolução de problemas. A hierarquia é importante para identificar os pré-requisitos que devem ser completados para facilitar o aprendizado em cada um dos níveis. As hierarquias de aprendizado fornecem uma base para a seqüência de instrução.

Ambientes corporativos devem, antes de tudo, ser funcionais. Para fazer frente aos desafios do novo mercado, devemos, sim, inovar, porém sem esquecer que, para que o avançado surja, o básico deve funcionar. De preferência muito bem.

Claudio Moreira

 


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