Por Marcelo Cuellar
Médicos e advogados são profissionais que – independentemente da especialização – têm contato com pessoas diariamente. Aliás, mais do que isso. Médicos e advogados são profissionais que têm interface com as pessoas, muitas vezes nos momentos mais difíceis das vidas delas.
Contudo, nas faculdades de medicina e direito não há nenhuma disciplina curricular ligada à psicologia, sociologia ou qualquer outra área humana.
Muito médicos, dentistas e advogados abrem seus próprios consultórios/escritórios após se formarem; contudo durante a faculdade não aprendem absolutamente nada sobre empreendedorismo e questões ligadas a gerir uma microempresa para que ela não quebre.
Isto, porque a lógica da formação acadêmica parte do pressuposto de que as competências a serem aprendidas estão descoladas de um contexto ou ambiente onde elas de fato terão que ser aplicadas.Isto é ruim. Mas tão ruim ou ainda pior é percebermos que a mesma lógica prevalece depois que saímos da faculdade e entramos nas empresas.
O mundo corporativo requer o desenvolvimento contínuo de competências, e realiza avaliações de desempenho para mensurar os gaps existentes entre o patamar de desenvolvimento atual do profissional e o desejado. Geralmente após isto (o que é chamado tecnicamente de levantamento de necessidades de treinamento) , desenvolvem-se MBAs in company, desenvolvimento de lideranças e outras modalidades de treinamentos.
Medidos em horas/aula, acessos on line e matrizes de competências que prometem mostrar que os gaps foram superados, as organizações apresentam relatórios e se mostram prontas para as mudanças que o mercado exige.
Tão prontas quanto os médicos e os advogados que saem da universidades, utilizados no exemplo do início do texto.
A verdade, é que sem preparo anterior e pós treinamento do ambiente corporativo, as competências ensinadas pelas iniciativas das empresas não encontram ambiente favorável na rotina corporativa para se tornarem resultados efetivos.
Sim, sempre é preciso um sponsor de peso, mas não que apenas abra o treinamento e mande uma mensagem na intranet, mas que de fato saiba o que está sendo treinado, o porquê e o que será feito posteriormente com aquele aprendizado.
Até porque, esta deveria ser a função dos principais líderes de uma organização, porque conversar com investidores na maior parte do tempo, deveria ser função do Diretor de RI (Relação com Investidores).
E na velocidade que o mercado exige e que os conhecimentos deixam de ser inéditos, só montar uma grade de treinamentos para os profissionais de sua empresa não será suficiente.
É preciso mais. Muito mais!
Fonte: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-do-marcelo-cuellar