A Universidade de Harvard, considerada o templo do ensino de Administração do mundo, a fim de não perder a liderança, cria o Método de Campo, mudando assim o seu modelo de MBA formatado há quase um século.
Reportagem especial do jornal “O Estado de S. Paulo”, publicada na última semana de novembro, mostrou um fato novo: a grande preocupação de Harvard com os países emergentes. A cidade de São Paulo está entre as 12 escolhidas no mundo para os seus alunos fazerem uma imersão, conhecendo os consumidores.
Uma das inovações de Harvard em 1918 foi a de adotar estudos de casos, o que foi imitado por muitas escolas. Agora parte para um novo projeto, pioneira do seu setor, mas com certo atraso, quando analisamos o processo de globalização: o Field Method, em Português, “Método de Campo”, no qual os alunos vão passar de forma muito bem planejada por empresas em todos os continentes. Muito diferente dos intercâmbios existentes entre diversas universidades, este projeto alia estudo e trabalho, tendo e vivenciando o mundo como “o mercado”. É feita uma seleção cuidadosa de empresas e também de alunos. A turma foi dividida em equipes globais, com a primeira sendo formada por alunos de 73 nacionalidades.
O que chama mais a atenção é que as empresas não apenas oferecem o local de trabalho, mas exigem o que querem, indicam e batizam os projetos, que poderão ser na área de inovação, produto ou processo. A visão puramente acadêmica não vai existir nesta nova história, o que em princípio não é novidade, porque há muito já foi identificado que existe uma grande distância entre as escolas de negócios e o mercado, um dos motivos que levaram empresas no mundo todo a criar Universidades Corporativas, com objetivo de diminuir esse hiato.
No Brasil, as escolas de negócios que têm conseguido melhor resultado devem isso ao rompimento parcial com os projetos pedagógicos congelados, adotando processos flexíveis, contratando professores que estão com um pé na escola e outro no mercado, os quais, na maioria das vezes, querem estar na academia, mas vivem de fato com o que ganham fora dela. Algumas escolas ainda utilizam métodos de ensino que vieram para o Brasil na época de seu descobrimento.
Umas das exigências de Harvard: após os alunos fazerem a volta pelo mundo, terão que apresentar não um relatório de turista, mas um modelo de negócio real. Este não é um teste fácil. Quem vive no mundo corporativo sabe que é simples construir castelos de areia no papel e o quanto é difícil construir de fato algo sustentável.
Normalmente, o que acontece lá, imita-se aqui, mas esta cópia não será fácil, por inúmeros fatores. Um deles é que a concorrência no Brasil ainda não é liderada pela preocupação com a qualidade, mas com a quantidade, em relação à maioria das escolas de Administração. E por parte das empresas, o investimento em inovação, com raras exceções, é irrisório, o que leva o aluno fazer a opção pela escola que oferece a mensalidade mais barata – mas paga caro por esta opção no futuro. Isso se tiver futuro, porque empresas top sabem que o diploma por si não garante resultado, é necessário muito mais. Em um mundo onde predominam a adversidade e a incerteza, ter a sala de aula como limite é muito pouco.
Hélio Mendes
Prof. e consultor de Estratégia e Gestão
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Fonte: http://www.correiodeuberlandia.com.br