Sistema permite que os jovens tomem decisões no comando de operações virtuais, que posteriormente, são avaliadas pelos gestores

Patricia Knebel

A ideia veio do mundo dos gamers e programadores, mas agora a X-Manager, pré-incubada no Centro de Empreendimentos em Informática (CEI) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) quer provar que a competição no mundo virtual pode ser muito útil para ajudar as empresas a identificarem novos talentos.

Para isso, criou uma rede social dentro da qual podem ser inseridos diversos simuladores empresariais, que reproduzem a administração de uma empresa e, dessa forma, possibilitam que os jogadores tomem decisões, busquem alternativas criativas e empreendam.

Tudo isso sem quebrar uma companhia de verdade no caso de insucesso das ações tomadas. “Corporações como IBM, Facebook e Google costumam acompanhar essas competições de programadores e contratar os melhores para trabalhar com eles como gerente de software e projetos. O que fizemos foi transpor esse ambiente de competição para o mundo corporativo, com a ideia de provocar essa mesma situação para companhias tradicionais”, relata Péricles Lopes Machado, um dos cinco sócios da X-Manager.

O simulador está em fase final de desenvolvimento, com a versão funcional já finalizada e faltando apenas trabalhar mais na parte de design e comunicação com os clientes. A expectativa da pré-incubada do CEI é apresentar a solução ao mercado durante a Business IT South America (Bits), que acontece no mês de maio, em Porto Alegre.

O gestor explica que o sistema pode ser facilmente adaptado para a realidade de cada empresa, que dessa forma consegue criar as suas próprias competições, sem a necessidade do apoio de um profissional com conhecimentos técnicos em tecnologia. Basta efetuar o cadastro gratuito e a utilizar as salas de competição que são geradas automaticamente pelo sistema.

O X-Manager é baseado no envio de decisões gerenciais por meio do site, que são enviadas dentro de um período limite preestabelecido. O objetivo é avaliar a capacidade dos participantes na gerência de uma empresa virtual, levando em consideração parâmetros e funcionalidades semelhantes às de uma empresa real. O vencedor de cada sala é o participante que alcançar o maior valor de venda da empresa. Os profissionais são analisados continuamente por meio de um sistema de pontuação dinâmico, onde a pessoa perde ou ganha de acordo com seu desempenho.

O gestor de uma fábrica de alimentos, por exemplo, pode criar um cenário no qual a operação está endividada, com baixa produção e eficiência das máquinas reduzida. Cada competidor vai ter que definir o que faria em uma situação como essa, e, ao final, conhecer o resultado da decisão tomada. “É uma metodologia que permite às empresas identificar as habilidades de cada pessoa, a forma como tomam as decisões e, dessa forma, escolher as com mais potencial para assumir determinada área da companhia, como as de risco”, observa Machado.

O simulador possui múltiplos cenários, ou seja, cada competição será totalmente diferenciada das demais. A participação é individual — todos contra todos — pois as competições avaliam a capacidade dos participantes e os classificam em um ranking global, destacando-os perante os demais.

Dentro de um processo seletivo, a empresa tem a oportunidade de testar os conhecimentos de estratégia e empreendedorismo de cada postulante à vaga, além de avaliar o nível teórico prático acerca de áreas como administração, ciências contábeis, informática, direito e engenharia.

O gestor comenta ainda que o software foi criado de forma a incentivar o trabalho em equipe, pois, apesar de ser uma competição individual, a troca de informações e a formação de grupos são permitidas. Além disso, estimula o raciocínio rápido, pois os participantes devem analisar os dados e tomar decisões num curto espaço de tempo. Em algumas competições o tempo pode ser de 20 minutos, gerando situação de pressão para os participantes.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/


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