“É comum um fracasso objetivo virar um sucesso subjetivo”
Nos últimos anos, “celebrar o fracasso” virou bordão no mundo dos negócios. Livros como Failing Forward: How to Make the Most of Your Mistakes (algo como “Fracassando para a frente: como tirar o máximo dos seus erros”), de John Maxwell, lançado em 2007, se tornaram campeões de venda. O argumento era persuasivo, embasado em casos sólidos, como o da rede McDonald’s, na qual a adoção de uma linha de saladas, em 2000, teria sido pautada por um fracasso prévio, em 1996, o lançamento do sofisticado hambúrguer Arch Deluxe (o público, ao que consta, não queria tanta sofisticação, mas estava preocupado com a saúde, daí a salada).
O maior empecilho ao aprendizado com o erro, diz ela, é a tendência dos seres humanos em proteger a autoimagem. “É muito comum um fracasso objetivo se transformar mentalmente num sucesso subjetivo.” Aprender com os erros é um processo lento e penoso. Pior, o esforço hercúleo pode ter efeito paralisante. Diante do dilema, o que fazer? Uma saída – por paradoxal que seja – é simplesmente substituir a história de fracasso por uma narrativa de sucesso. No caso do hambúrguer Arch Deluxe, o McDonald’s preferiu não se fixar no descompasso de marketing com o público consumidor. Apostou todas as fichas em seu ponto forte, a assombrosa capacidade de imitação em grande escala de receitas de sucesso de concorrentes menores (por exemplo, o McWrap, o burrito do McDonald’s, inspirado no sucesso da rede Chipotle, especializada em culinária mexicana). A rede de fast-food gradualmente recalibrou o seu marketing. “Aprender com o fracasso é louvável. Porém, de nossa análise empírica, nós vemos que as pessoas aprendem mais é com o sucesso”, diz Francesca.
Fonte: http://epocanegocios.globo.com/