“É comum um fracasso objetivo virar um sucesso subjetivo”

Nos últimos anos, “celebrar o fracasso” virou bordão no mundo dos negócios. Livros como Failing Forward: How to Make the Most of Your Mistakes (algo como “Fracassando para a frente: como tirar o máximo dos seus erros”), de John Maxwell, lançado em 2007, se tornaram campeões de venda. O argumento era persuasivo, embasado em casos sólidos, como o da rede McDonald’s, na qual a adoção de uma linha de saladas, em 2000, teria sido pautada por um fracasso prévio, em 1996, o lançamento do sofisticado hambúrguer Arch Deluxe (o público, ao que consta, não queria tanta sofisticação, mas estava preocupado com a saúde, daí a salada).

Tudo que é sólido, no entanto, está sujeito às rachaduras do tempo. Em 2012, a professora da Harvard Business School Francesca Gino começou a questionar a eficiência do aprendizado com o fracasso. Num estudo sobre cirurgiões cardiovasculares, Francesca demonstrou que era o sucesso – próprio e alheio – o principal motor de aprendizado dos cirurgiões. Pouco se aprendia de uma operação malsucedida. “É mais difícil do que parece aprender com os próprios erros”, diz Francesca, coautora do estudo My Bad! How Internal Attribution and Ambiguity of Responsibility Affect Learning from Failure (“Foi mal! Como a atribuição interna e a ambiguidade de responsabilidade afetam o aprendizado com o erro”).

O maior empecilho ao aprendizado com o erro, diz ela, é a tendência dos seres humanos em proteger a autoimagem. “É muito comum um fracasso objetivo se transformar mentalmente num sucesso subjetivo.” Aprender com os erros é um processo lento e penoso. Pior, o esforço hercúleo pode ter efeito paralisante. Diante do dilema, o que fazer? Uma saída – por paradoxal que seja – é simplesmente substituir a história de fracasso por uma narrativa de sucesso. No caso do hambúrguer Arch Deluxe, o McDonald’s preferiu não se fixar no descompasso de marketing com o público consumidor. Apostou todas as fichas em seu ponto forte, a assombrosa capacidade de imitação em grande escala de receitas de sucesso de concorrentes menores (por exemplo, o McWrap, o burrito do McDonald’s, inspirado no sucesso da rede Chipotle, especializada em culinária mexicana). A rede de fast-food gradualmente recalibrou o seu marketing. “Aprender com o fracasso é louvável. Porém, de nossa análise empírica, nós vemos que as pessoas aprendem mais é com o sucesso”, diz Francesca.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/


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