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Texto Catarina Guedes/Milena Brasil
Quem pensa nos agentes da cadeia produtiva da cotonicultura, muito dificilmente lembra deste elo: os cozinheiros das fazendas. Mas, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão – Abapa, atendendo a uma demanda antiga e constante dos produtores do Oeste da Bahia, passou a investir na qualificação deste profissional que garante o “combustível” dos operadores de máquinas, safristas, agrônomos, maquinistas, classificadores, pilotos, dentre os muitos braços que movem uma unidade de produção. Na última sexta feira, 25 de março, a Abapa inaugurou em Barreiras o Centro de Treinamento em Alimentação, uma estrutura montada para promover a reciclagem de profissionais manipuladores de alimentos e capacitar novos profissionais nesta área. A meta da Abapa para o primeiro ano é capacitar 500 pessoas que já atuam nas fazendas e outras 100 iniciantes.
Construído com recursos do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão – Fundeagro, e em parceria com a empresa Agrosul Máquinas Ltda, que cedeu o prédio onde foram instalados os equipamentos da cozinha experimental, o Centro de Treinamento em Alimentação faz parte do Projeto AlimentAÇÃO, iniciativa da Abapa que nasceu no início deste ano e já vinha acontecendo pontualmente dentro das próprias fazendas. Durante a inauguração, que teve participação dos produtores, representantes de classes locais, sociedade civil, além do bispo da Diocese de Barreiras, D. Ricardo Weber Berger, que abençoou as instalações, ocorreu também a primeira cerimônia de diplomação dos profissionais já treinados pelo Projeto.
Apesar do foco no trabalhador rural, a Abapa pretende estender os serviços do Centro de Treinamento em Alimentação aos possíveis interessados de toda a sociedade da região, como, por exemplo, a crescente rede hoteleira e de restaurantes. “Há dois aspectos muito importantes neste projeto: o bem estar do trabalhador rural e a qualificação da mão de obra, que são contribuições diretas da entidade para a melhoria nos índices de desenvolvimento e na qualidade de vida na região”, explica o presidente da Abapa, João Carlos Jacobsen.
Segundo Marcelino Flores, da empresa Agrosul, a necessidade constante de treinamento da mão de obra no Oeste motivou a empresa a se juntar à iniciativa. “Pessoas capacitadas são importantíssimas para a região, e a Abapa, uma entidade forte, nos credencia a acreditar neste projeto”, afirma.
Estrutura curricular – Aulas práticas e teóricas, distribuídas em uma programação de cinco dias e carga horária de 40 horas, compõem a grade curricular. Cada turma tem no máximo 10 pessoas. No comando do curso está a nutricionista Patrícia Castanharo, contratada pela Abapa, que explica que a satisfação do trabalhador rural no emprego passa necessariamente pela boa alimentação.
“Uma dieta nutritiva, saudável e, é claro, saborosa não só faz diferença do ponto de vista fisiológico, como indica o cuidado do produtor rural com os seus colaboradores”, diz a nutricionista. Por isso, os alunos do AlimentAÇÃO incrementam as técnicas de preparo que já conhecem, aumentam o repertório de receitas e aprendem formas novas de preparar os pratos, aproveitando melhor o potencial das matérias-primas com o uso, por exemplo, de cascas e talos dos vegetais, que são ricos em nutrientes e fibras. As aulas incluem ainda o manejo seguro dos materiais para evitar contaminação.
“A qualificação visa a orientar os participantes para oferecer produtos e serviços diferenciados para as empresas e para a comunidade, possibilitando melhores chances de inclusão e remuneração destes profissionais no mercado de trabalho, além promover a saúde do trabalhador rural.”, diz Patrícia Castanharo.
De acordo com João Carlos Jacobsen, a construção de um centro montado especialmente para este tipo de atividade foi um passo natural do Projeto, e o que se espera a médio prazo é atingir com ele a totalidade dos profissionais da região.
“A cotonicultura do Oeste da Bahia alcançou um índice admirável de qualificação, que reflete na qualidade da nossa fibra, sem dúvida a melhor do Brasil e uma das melhores do mundo. Nossa prioridade é a qualificação do produtor e dos profissionais que trabalham diretamente com o negócio algodão. Mas vemos a cotonicultura não apenas como uma cadeia, e sim como uma trama, um tecido, no qual cada um desses agentes é um fio que encorpa essa malha. Por isso, todos têm de ser fortalecidos e merecem atenção”, diz Jacobsen.
Fonte: www.jornalnovafronteira.com.br